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Carioca

Artista conta com muito bom humor como chegou até o novo comercial da Sadia.

Artista conta com muito bom humor como chegou até o novo comercial da Sadia.

Jô Soares, Amaury Junior, Zeca Camargo, Lulu Santos… a lista de personagens imitados por Márvio Lúcio, ou melhor, Carioca, integrante do programa Pânico, é extensa e recentemente mais um nome foi incorporado ao hall: Luis Augusto. Não conhece? O presunto do novo comercial da Sadia.

Acostumado a interpretar grandes personalidades brasileiras, essa foi uma experiência totalmente nova na vida do carioca. “Eu nunca tinha feito nada do tipo, mas a ideia da campanha é sensacional. Estou muito feliz de ter sido escolhido. A marca entende de presunto e a gente entende de como dar vida ao presunto. É uma parceria”, diverte-se.

O processo de criação para o personagem não foi muito diferente dos outros. “É um processo muito orgânico. Outro dia eu estava no carro e descobri que conseguia imitar o Datena (José Luis Datena, apresentador). Acredito que todo mundo que trabalha com criação é um pouco inquieto, sabe que precisa compor e isso requer esforço e atenção. Não existe horário fixo”, explica, e acrescenta que toda sua peça atual (“Dilma Ducheff saudando a mandioca”) foi escrita em uma madrugada. “É como uma entidade. Para o comercial eu contei com a ajuda de toda a equipe também para encontrar o tom certo e dar um espírito a ele”.

Bastam alguns poucos minutos de conversa para ver que, mesmo depois de muitos anos morando em São Paulo, o sotaque marcante e o jeito descontraído que lhe renderam o apelido famoso ainda aparecem com força. “O humor já está comigo desde pequeno. Eu era um moleque meio louco, já imitava políticos, professores com perfeição e a família incentivava”, conta. Desde os 16 anos trabalhando com publicidade para o rádio, o convite para o programa veio logo depois.

Entre os ídolos estão nomes como Jerry Lewis, Steve Martin, Costinha, Agildo Ribeiro e Chico Anysio. “São tantos, gosto muito dos humoristas brasileiros, admiro todos”, diz. Quando perguntado quem ele gostaria, mas ainda não conseguiu imitar. “O Galvão Bueno. Esse cara vai encerrar a carreira e ninguém vai conseguir imitar com precisão. Ele é inatingível”.

Com o país vivendo uma fase turbulenta e com muitas notícias ruins na televisão e internet, Carioca ressalta que é o humor quem tem a função de desanuviar e entreter o público. “O humor é a principal ferramenta de comunicação. Ele atrai e o brasileiro adora o humor. As próprias propagandas com humor ficam na memória. Lembra de quando a Sadia fez a com o ‘nem a pau, Juvenal?’? Ela tem o poder de dar um clique e mudar o dia de uma pessoa”, explica.

Mas ele também acredita que vivemos um momento em que é preciso saber que caminho se quer seguir com o trabalho, pois qualquer escapulida é motivo para criticarem. “Para que vou andar em terrenos pantanosos se consigo fazer coisas bacanas e que não terei tantos problemas? As pessoas querem encher o saco. É uma forma de bullying, faz parte e tem que saber levar com humor”, completa Carioca. Mas a internet também proporcionou uma forma nova e solitária de dar destaque a novos nomes, onde todo mundo quer chamar atenção para si próprio. “A vida atrás de um celular e computador é muito solitária, então a pessoa fica carente querendo provocar alguma coisa. Essa é a geração ‘cara no sol’, todo mundo quer ser youtuber, ser visto no Instagram, ganhar seguidor no Snapchat. Acho que vamos descobrir quem é bom ou não para a comunicação, porque é coisa séria, não é só aparecer. Por isso que chamamos de artista, porque artista se expressa”, acredita.

Isso não quer dizer que os planos de ter um dia algo na rede estejam descartados. Carioca vem estudando a melhor hora e forma de entrar no YouTube e ocupar um território ainda não explorado. “Eu fico observando e quando todo mundo der uma enjoada, eu venho com algo diferente, bacana. Agora tem muitos caras fazendo humor bem lá, mas é uma maratona, tem que ter estratégia. Eu digo que gosto de atirar a pedra pra frente e não para o alto, porque atirando para a frente ela cai mais longe ainda”, filosofa. Entre outros trabalhos futuros está continuar com o teatro por um longo tempo, onde diz ter se encontrado. “O teatro é eterno. Não saberei viver sem. É uma conexão muito boa estar ali e ter que laçar aquele público. Tem me feito muito, muito, muito bem poder rodar o brasil inteiro e estar olhando nos olhos de cada um que gosta do seu trabalho”, confessa.

Quando não está gravando para a TV, na rádio ou correndo o país com sua peça, Carioca curte ficar com os filhos e também se arriscar na cozinha. Gosta de inventar receitas, novos pratos e até confessou ter comprado um ingrediente secreto. Mas quem o coloca na linha é a esposa Paola Machado, profissional de Educação Física e dona de um projeto fitness nas redes. “Ela reclama que eu gosto de salgadinho e doce, mas rola sair da dieta no fim de semana sim. Comer bem é uma felicidade para mim. Mas se como mais em um dia, vou na academia no outro. Tenho tentado ficar menos feio, melhorar o corpo”, ri.

É da família que Márvio mais fala com paixão. Com os dois filhos, Lorena e Nicolas, faz o papel do pai brincalhão, mas que deixa a comédia de lado quando precisa ter o pulso mais firme. “Eu cumpro os dois lados. A gente faz o ambiente lá em casa ser leve, com muitas crianças, brincadeiras, e aí eles entendem que quando você fala sério é uma vez só. Criança tem uma percepção melhor que a nossa e eles sabem que eu sou tão bacana que não querem perder esse bom humor se desobedecerem”, explica. Ter dois “serzinhos” novos dentro de casa mudou a vida do humorista completamente, que passou a dedicar todo tempo livre e atividades aos dois. “Não tem jeito, tem que abrir mão. Hoje eu só vou ao cinema para assistir desenho animado e filme de super-herói. E eu entro na onda. Criança tem uma fantasia que acaba te inspirando muito”, derrete-se.

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